O cantinho da Cinderela

O cantinho encantado da bloggosfera.

domingo, maio 08, 2005

A Viagem

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Sinto-me cansada. Sem forças nos braços e pernas e com um peso enorme nos olhos. A meu lado, meio deitado, dormes um sono merecido. Afinal de contas, já fizeste metade do caminho e a outra metade cabe-me a mim.
A estrada parece interminável... A noite também. No meio da escuridão não se vê nada, apenas as luzes dos faróis do carro.
Os meus olhos teimam, cada vez mais, em fechar. Paro o carro. Saio e molho a cara com o resto de água que tenho numa garrafa. Nada. Não resultou. O sono é cada vez maior.
Meto-me no carro e continuamos a viagem. Tu dormes, tranquilo como um anjo.
De repente, algo me faz perder todo o sono. As luzes do carro apagam-se, como que por magia. Rodo o manípulo, mas... nada. Paro o carro. Não posso conduzir nestas condições. Não numa noite tão negra. Não vou arriscar a tua vida. Principalmente a tua vida.
Olho em volta, mas não vejo nada. Nem uma luz, nem um vulto, nada. Volto a ligar o carro e a rodar o manípulo. Nada. Nem os mínimos. Tento acordar-te, mas estás num sono tão profundo que nem me ouves.
Então lembro-me. O telemóvel. Vou ligar para alguém nos vir buscar. Oh não! Não é possível! Sem rede! E agora? Vou esperar pelo nascer do dia. Mal por mal, mais vale sujeitar-me aos perigos da noite do que arriscar um acidente com possíves consequências trágicas.
Completamente desesperada, tento, uma última vez, ligar as luzes.
Não acredito! Ligaram! Arranco, mas não sem antes olhar para ti. Alheio a tudo, continuas o teu sonho. E pelo sorriso que esboças, só pode ser bom.
Momentos depois respiro de alívio. O Sol está prestes a nascer e a viagem a chegar ao fim.
A luz intensa acorda-te. Ao sentir-te despertar, olho para ti com o meu melhor sorriso e dou-te os bons dias. Erro grave. Ao olhar novamente para a estrada, vejo o que não quero ver... A curva... A falésia... E a impossibilidade de fugir. Gelei. Vamos morrer.
O medo da morte assusta-me. Acordo. Tudo não passou de um sonho. Ao meu lado, muito sereno, conduzes o carro por uma estrada já com pouca luz. O Sol está a por-se. Faltam poucos quilómetros para trocarmos de lugar e dar, eu, continuidade à viagem.

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quinta-feira, novembro 11, 2004

A cadeira de baloiço

(Visto que a história que aqui vos deixei no dia de Halloween fez sucesso, deixo-vos outra que espero que tenha a mesma sorte.)

Um casal de namorados vinha de regresso das suas férias na montanha. Mas eis que, depois de vários quilómetros percorridos, o impensável acontece. O carro onde seguiam, pura e simplesmente, pára. O rapaz dá à chave, mas o veículo nem dá sinais de vida. Ele sai do carro e resolve ir ver se conseguia fazer alguma coisa, mas a escuridão da noite não deixou.
"-E agora?"-perguntou ela-"Como é que vamos sair daqui? A vila mais próxima ainda fica a uns bons quilómetros."
"-Temos de chamar um reboque. Só assim conseguiremos chegar a uma oficina."-respondeu ele.
Começando a ficar apavorada com a possibilidade de pernoitar ali, ela respondeu:
"Tás doido?! E onde é que vais arranjar um reboque a estas horas?! Deves pensar que as pessoas aqui não dormem!"
Ele abanou a cabeça, como que a dar-lhe razão, e começou a andar em volta do carro, pensando numa maneira de resolver a situação.
Completamente rendido às evidências, ergueu a cabeça e reparou numa fraca luz que se avistava ao fundo de um caminho de terra batida que se encontrava um pouco mais à frente do sítio onde estavam.
"-Podia pedir dormida ali e amanhã, então, chamaria um reboque."-pensou.
Fecharam o carro e dirigiram-se à dita casa. Ao chegarem lá, repararam que se tratava de uma casa modesta e que tinha uma cadeira de baloiço no alpendre. Bateram à porta.
Do lado de dentro ouviram um ladrar forte e uma voz suave a mandar sossegar o animal. A porta abriu-se. E apareceu-lhes uma senhora de idade bem avançada (aí uns 70, 80 anos) que lhes perguntou o que queriam.
"-Minha senhora, desculpe, mas será que nos poderia arranjar dormida para esta noite? É que tivemos uma avaria no carro e... sabe como é... já é tarde..."- disse o rapaz.
Sem sequer o deixar acabar, a dita senhora pôs um lindo sorriso e disse-lhes que sim e que, se quisessem até podiam tomar o pequeno-almoço lá. O casal entrou, acomodou-se e comentou, entre eles, o estranho facto de a velhota se ter ido deitar de lenço ao pescoço. Dormiram.
A primeira a acordar foi a rapariga e, quando se dirigia para a casa-de-banho, passou pela cozinha e reparou que a senhora já lá se encontrava a tratar do pequeno-almoço. Mas o que a aterrorizou mais foi ter reparado que esta tinha duas marcas de cada lado do pescoço, facto que não tinha visto antes devido ao lenço. Contou ao namorado e foram comer, tentando parecer calmos. Findo o repasto, o rapaz foi ao alpendre e chamou um reboque.
Perguntaram à velhota quanto era a despesa, mas ela apenas lhes disse que, só pelo facto de lhe terem feito companhia, podiam considerar a dívida paga. Arrumaram as coisas e dirigiram-se para junto da viatura. Pouco tempo depois apareceu o reboque que os haveria de levar à oficina mais próxima. Lá chegados, o rapaz comentou com o mecânico que, se não tivesse sido a tal senhora idosa, teriam passado a noite dentro do carro. O mecânico ergueu-se e ficou petrificado. Ainda meio pálido explicou-lhe que tal era impossível, uma vez que aquela casa tinha sido deixada ao abandono desde de que a sua moradora havera sido assassinada por asfixia pelo seu próprio cão. O rapaz nem queria acreditar. Já com o veículo arranjado e, novamente de regresso, quiseram voltar à tal casa e ver com os seus próprios olhos se era verdade. Ao lá chegarem gelou-se-lhes o sangue. Da casa, a única coisa que restava era a cadeira de baloiço que estava no alpendre. Tudo o resto tinha ruído.

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domingo, outubro 31, 2004

Feliz Halloween

Tudo se passou há muitos anos atrás...
Aproveitando o fim-de-semana prolongado, um grupo de cinco jovens amigos decidiu ir passar os três dias no enorme casarão que um deles possuía algures perdido no interior do país.
Quando iniciaram a viagem, já a tarde ia a meio, pelo que chegaram ao destino já de noite. Jantaram, deliciaram-se com um bom vinho e resolveram ficar ao serão a falarem das mais variadas coisas, contando acontecimentos reais e histórias de terror assombrosas. Durante uma dessas histórias, ouviram um barulho assustador, seguido de um silêncio arrepiante.
Apesar de receoso, um dos jovens achou por bem ir ver qual a origem do tal barulho. Chegado ao suposto local, deparou-se com um muito assustado gato preto. Chamou-o, fez-lhe umas festas e, pegando-lhe ao colo, exclamou: "-Ah! Então foste tu! Nem imaginas o susto que nos pregaste!". E levou o felino para junto dos amigos.
Acomodaram-no no sofá, trancaram portas e janelas e deitaram-se. Já farto de dar voltas na cama, e sem conseguir dormir, outro dos jovens resolveu ir até à cozinha comer qualquer coisa.
Ao passar por um dos quartos ouviu um grito abafado. Abriu a porta e viu um dos amigos com quatro arranhões bem profundos no pescoço. Ficou ainda mais aterrorizado quando, ao acender a luz para ver o que tinha realmente acontecido, não encontrou uma única gota de sangue em todo o quarto. De repente, lembrou-se do gato preto. Foi até à sala, mas encontrou o gato exactamente da mesma maneira que o tinham deixado. Complectamente gelado de medo, chamou pelos restantes companheiros.
Não obteve resposta.
Apenas um silêncio que lhe gelou ainda mais o sangue que lhe corria no corpo. A medo, abriu as restantes portas dos quartos. O cenário acelerou-lhe as batidas do coração. Todos os seus amigos estavam agora mortos. Todos eles da mesma maneira, com quatro arranhões no pescoço. Nos quartos, o cenário repetia-se: nem uma gota de sangue visível.
Quis sair dali o mais depressa possível, mas quando se virou, deparou-se com o pequeno gato preto.
Mas havia algo de estranho nele. Já não parecia assustado. E o seu olhar era agora vermelho e deveras aterrorizante.
Implorou para que o deixasse em paz, mas nada parecia demover o animal. De um momento para o outro, viu-o transformar-se num ser meio humano, meio felino. Quase ja sem pinga de sangue, ouviu a criatura dizer-lhe em inglês:
"-Happy Halloween!"
Olhou para cima e viu que se tratava de um dos amigos. Tudo não tinha passado de uma brincadeira. Severamente alterado, fez as malas decidido a regressar à cidade. Depois de tentarem , em vão, demovê-lo, os amigos deixaram-no ir.
Dois dias depois, ao chegarem também eles à cidade, souberam que o tal amigo nunca tinha conseguido chegar ao destino. Voltaram atrás e refizeram todo o caminho novamente. Apenas encontraram as roupas rasgadas e os pertences do amigo. Dele, nem sinal. Pouco depois ouviram um miar assustador. Fugiram para nunca mais voltar.
Muitos anos se passaram, mas conta-se na região que, todos os anos, na noite de Halloween, se ouvem miares agonizantes vindos do casarão onde os cinco amigos estiveram hospedados.

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HAPPY HALLOWEEN, WHO EVER YOU ARE!!!

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